Eu cometi um crime. Mas, este crime, não é um crime comum. É um daqueles crimes, que só podem ser cometidos em um tempo como agora, onde as pessoas são movidas apenas pelo dinheiro, aparências, ganância, status e não conseguem mais cultivar bons sentimentos.
Fui julgada e condenada.
Pois bem, agora estou eu, diante de um poço. Pode ser que este poço não tenha um fundo e, cair nele, significa estar em queda durante toda a eternidade. E, mesmo que tenha fundo e eu consiga sair dele, ele pode estar enfeitiçado e, a menor lembrança do crime que cometi, me levaria a cair nele novamente.
Atrás de mim, há um exército. Todos com armaduras, cavalos, espadas, lanças, armas de fogo. Atrás dos guerreiros, ainda muitos obstáculos. E, eu não visto nada além de uma túnica. Eles estão prestes a me empurrar para o poço.
O que fazer?
A Primeira Voz diz:
"_ Salte logo. Já que a queda é inevitável, diminua seu sofrimento e a espera. Talvez, posteriormente, possa acontecer alguma coisa que te liberte, mas não é certeza. Então, abrevie seu sofrimento e jogue-se!"
A Segunda Voz aconselha:
"_ Espere para que te joguem. Eles podem apiedar-se de seu crime. Talvez os tempos mudem e você seja salva. A espera pode ser em vão, mas não perca as esperanças!"
A Terceira Voz encoraja:
"_ Vire-se e lute. Apesar de estar com as mãos nuas, você tem a força que precisa para derrotar este exército que a cerca. Nada pode contra o sentimento que carrega dentro de si, que foi seu único crime. Você pode morrer em batalha, mas mesmo assim, tente, você não terá morrido sem luta!"
Sorry, o post saiu com um pequeno defeito. Mas, aqui está ele republicado com a correção! Ah, sim! Não há depois! Ou, talvez, ainda não haja...
O jovem e as árvores
Os anciãos costumavam dizer que, no início de suas vidas, as árvores do Amor e da Dor são muito parecidas. Ambas começam como um pequeno arbusto, com folhagem e tronco muito semelhantes. Apenas após algum tempo elas se diferenciam.
A árvore do Amor cresce, ocupa quase todo o terreno onde foi plantada, mas sempre deixa espaço para todas as outras plantas que ali queiram crescer. E, se isso não bastasse, ainda as alimenta.
A árvore da Dor fica naquele mesmo estágio de arbusto. Suas folhagens são disformes, seu caule retorcido e cheio de espinhos que ferem ao menor contato.
Embora sejam árvores diferentes, elas quase nunca nascem separadas. Apenas, após o estágio inicial, onde as primeiras diferenças começam a aparecer, é que se pode arrancar a árvore da Dor, que sempre é superada pela árvore do Amor.
Em uma cidadezinha, um jovem agricultor herdou um pedaço de terra. Durante a noite, um anjo (porque só os anjos conseguem depositar as sementes do Amor e da Dor nas terras dos homens), semeou Amor e Dor nas terras do jovem. Pela manhã, os brotos já despontavam sobre a terra.
O jovem, vendo aquilo, arrancou os pequenos brotos de seu terreno. Poderia não ter a árvore do Amor em suas terras, a árvore mais bela, mas também não teria a árvore da Dor, que enfeiaria sua propriedade.
O anjo, porém, não desistia e todas as noites semeava o Amor e a Dor nas terras do jovem, pois era necessário que ele soubesse cuidar das duas. Era necessário que ele mantivesse a árvore do Amor viva, sempre, cuidando de sua majestade. E, também era necessário que cuidasse da árvore da Dor, que esperasse ela assumir sua forma de arbusto retorcido, para poder extirpá-la de suas propriedades. Extirpá-la definitivamente, sem deixar que nenhuma raiz de Insegurança ficasse sob o solo, para que a Dor não voltasse a dar as caras.
Mas, o jovem, irredutível em sua conduta, continuava a arrancar os pequenos brotos, não esperando, como faria um sábio, para descobrir se eram brotos de Amor ou Dor. Ele tentava deixar suas terras belas, plantando árvores de Afeto, mudas de Amizade, sementes de Carinho. Ele sentia que faltava algo em sua plantação, mas não queria arriscar-se a plantar a árvore do Amor, para que não tivesse que lidar com a Dor. E se ele não arrancasse bem suas raízes e ela voltasse a germinar? Deixaria que a feiúra desta árvore tomasse conta de sua propriedade? Não. Ele não deveria se arriscar.
E o anjo, toda a noite semeava a terra. E o jovem, toda manhã arrancava os brotos. Até que um dia, cercou suas terras com o espinheiro do Orgulho, e o anjo não mais se aproximou.
Com o passar do tempo, todos os outros vegetais que o jovem havia plantado começaram a sentir falta do alimento que a árvore do Amor costuma dar. E, não importando o sacrifício que o jovem fazia para mantê-las vivas, foram definhando e morrendo uma a uma... E, o espinheiro do Orgulho, exige muito da terra. Com o tempo, morreu e matou consigo as terras do jovem.
E, o que poderia ser uma linda propriedade, transformou-se em uma terra seca de Indiferença, onde nem a erva daninha do Ódio conseguia crescer...
As portas do Reino Proibido se abrem para te receber, caro forasteiro! Uma fada verde o convida a sentar-se no anfiteatro do castelo e ouvir as histórias fantásticas deste lindo e encantado vale!
This is my blogchalk: Brazil, Santo André, algo próx. ao Pq. das Nações, Portuguese, English, Absinct, Female, 21-25.